Arquitetura – Monumento do Marco Zero dos atentados de 11/09 é inaugurado 10 anos após a tragédia em Nova Iorque

por Bia Lombardi

Recomeçar, reconstruir, renascer. Temas recorrentes da vida, tão característicos da alma humana, essa capacidade inexplicável que temos de nos reerguer mesmo diante das mais atrozes dificuldades. Quando falamos sobre os atentatos de 11/09 são essas as palavras que me vem à mente.

Há 10 anos, milhares de famílias perderam seus entes queridos, levados de uma única vez, na maior tragédia provocada por um ato terrorista no mundo. Pais, mães, esposas, maridos, filhos, filhas e amigos, pessoas de todas as nacionalidades e credos, 3000 vidas que terminaram abruptamente.

Aos que ficaram, além da dor da perda, um vazio impossível de preencher. Como recomeçar uma vida sem encerramento? Na ordem natural das coisas onde tudo que tem um começo tem um fim, percebemos em momentos como esse que a inversa é cruelmente aplicável. Pontos finais são necessários e fundamentais, impossível recomeçar sem poder finalizar.

Os motivos que levaram aos ataques de 11/09 todos sabemos, inúmeros replays na televisão ao longo desses 10 anos nos fizeram reviver esse dia incontáveis e dolorosas vezes. E a cada ano que passa, depois de guerras feitas e mais vidas perdidas em nome dos que se foram no 11/09, percebemos que a única verdade tangível é que essas famílias, as verdadeiras vítimas disso tudo, nunca puderam enterrar e chorar seus mortos. Foram 10 anos de um luto aparentemente sem fim.

A limpeza dos escombros e a catalogação dos corpos, feitos bravamente pelo Corpo de Bombeiros e pelo Instituto Médico Legal da cidade de Nova Iorque durou três anos e meio e apenas metade do número total de vítimas conseguiu ser identificado. 1500 pessoas simplesmente desapareceram no ar.

Reconstruindo com respeito

Logo após a tragédia o governo americano abriu discussões para decidir o que seria feito com o que chamaram de Marco Zero. O prefeito Rudy Giuliani, o governador do estado de NY George Pataki e o presidente George W. Bush votaram a favor da reconstrução imediata do local. O problema era como, onde e o quê. Planos pilotos para a área ao sul de Manhattan, onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center, começaram a surgir mas até julho de 2002 nenhum dos projetos foi aprovado pelos nova-iorquinos. O LMDC resolveu então solicitar (http://www.renewnyc.com/) um novo concurso internacional para o desenvolvimento de estudos para a área afetada e, em fevereiro de 2003, o Studio Daniel Libeskind ganhou oficialmente a competição para o projeto de reconstrução e redesign do World Trade Center, complexo que incluirá quatro arranha-céus, um centro de transporte, um museu e um memorial às vítimas do 11 de setembro.

Refletindo sobre a ausência

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